2019-09-15 09:56:00 Jornal de Madeira

Talibãs permitem de novo operações da Cruz Vermelha no Afeganistão

Os talibãs anunciaram hoje que permitem de novo as operações humanitárias do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) no Afeganistão, depois de cinco meses de paragem, forçada pela retirada das garantias de segurança. Depois de "contínuos contactos e debates" de representantes dos talibãs e do CICR em Doha, os islamitas, que exercem um controlo de facto sobre vastas partes do Afeganistão, decidiram voltar à situação anterior a abril, quando a organização humanitária suspendeu a sua atividade no país. Nessa altura, a organização humanitária foi forçada a parar, nomeadamente as visitas a prisioneiros e cuidados aos feridos, por os talibãs lhe retirarem as garantias de segurança, alegando discordar da "quantidade e qualidade" dos seus serviços. "Com a publicação deste comunicado, o Emirato Islâmico do Afeganistão - como se autodenominam os talibãs - restaura as garantias de segurança ao CICR no Afeganistão e informa os combatentes para facilitarem ao CICR o desenvolvimento das suas atividades", afirmaram os insurgentes. Representantes do Comité Internacional da Cruz Vermelha em Cabul evitaram fazer comentários de momento sobre a decisão dos talibãs. Em abril, o CICR tinha lamentado que, com a proibição, "milhares" de afegãos "atingidos pelo conflito" se veriam privados da ajuda humanitária que proporciona a organização. As divergências entre o CICR e os talibãs têm-se repetido durante os últimos anos, com casos recentes como o de outubro passado, quando os insurgentes restabeleceram garantias de segurança à organização depois de dois meses de suspensão. Naquela ocasião a proibição deveu-se a que, segundo os talibãs, o CICR não tinha tomado "medidas para tratar os prisioneiros". Depois de 18 anos de guerra no Afeganistão, que começou com a invasão dos Estados unidos em 2001 e que levou à derrocada do regime talibã, o país continua a precisar de forma urgente de ajuda humanitária e de serviços sanitários para as vítimas do conflito.

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